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Criolipólise de Sucção x Criolipólise de Placas

A criolipólise é uma técnica usada para redução de gordura localizada já bastante conhecida e reconhecida pelos seus bons resultados.

A proposta terapêutica é muito interessante: usa extração térmica controlada (extração de temperatura por contato com o elemento frio) através de um dispositivo.

Os triglicerídeos contidos nos adipócitos são mais sensíveis ao frio que as estruturas ricas em água que estão ao redor. Para se ter uma ideia, os triglicerídeos cristalizam irreversivelmente dentro dos adipócitos em torno de 10° C, uma temperatura significativamente maior que o ponto de congelamento da água (0° C).

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Isso permite que a gordura subcutânea seja o alvo preferencial da técnica, enquanto que a pele e os tecidos adjacentes ricos em água permanecem preservados. Os adipócitos cristalizados entram em apoptose e o volume do tecido adiposo da área tratada diminui gradualmente. Os eventos adversos após a criolipólise são tipicamente leves e incluem eritema, edema, dor, hematomas e parestesia, todos toleráveis e transitórios.

Estudos prévios atestam a segurança da técnica, a mobilização/apoptose adipocitária não afeta os lipídios circulantes nem a função hepática. A técnica também apresenta melhora da qualidade e da firmeza da pele no local tratado.

Desenvolvimento da técnica e configuração dos aplicadores

Se fizermos uma busca no Pubmed agora, usando a palavra chave “criolipólise”, ou melhor, “cryolipolysis” em inglês, poderemos verificar que existem mais de 120 artigos publicados sobre o tema. E isso é muito bom, pois valida a técnica, aponta riscos e direciona novas pesquisas. Mas ainda restam pontos que não estão claros, como por exemplo, essa questão da criolipólise de “placas”.

Se buscarmos na literatura, já no primeiro artigo publicado sobre a técnica em 2008, Manstein et al.8, baseado em aplicação em porcos, já havia uma busca sobre qual a melhor configuração do aplicador, se “placa” ou em “prega” como aparece na figura abaixo.

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As cores representam: caixa do dispositivo (cinza), elemento frio com sensor de temperatura integrado (azul), epiderme (marrom escuro), derme (marrom claro), tecido adiposo subcutâneo (amarelo). a: Exposição “plana” de um único elemento frio. b: Exposição “dobra” com dois elementos de resfriamento diminuindo a temperatura simultaneamente de um volume de dobra de tratamento elevado e comprimido.

Observe, a: aplicador plano (placas – sem vácuo) – somente um elemento de resfriamento e; b: aplicador em pregas (com vácuo) – são dois elementos resfriando simultaneamente o tecido adiposo, além da compressão do tecido adiposo entre as duas placas cooling induzido pelo vácuo, que diminuem o fluxo sanguíneo para o local de tratamento.

A análise funcional que deve ser feita é simples: se temos dois elementos de resfriamento atuando simultaneamente e o tecido está sob compressão dentro do aplicador, é obvio que essa configuração favorece a extração de temperatura e diminui o tempo da sessão e, consequentemente, tende a aumentar a eficácia. Lembro ainda que o tratamento temperatura-tempo-dependente.

Ponto importante, a função do vácuo é somente manter o tecido acoplado às paredes internas do aplicador, a pressão negativa não tem papel ativo no resultado e deve ser mantido no valor mínimo suficiente para manter o aplicador fixo no local durante o ciclo de tratamento e, com isso, evitar a formação de petéquias e equimoses.

É importante analisar, se os desenvolvedores da técnica (CoolSculpting System, ZELTIQ Aesthetics, Pleasanton, CA), já nos primeiros protótipos e testes realizados em animais, comparam o aplicador em placa (sem vácuo, somente um elemento de resfriamento) e em prega (com vácuo e 2 elementos de resfriamento) e partiram para a fabricação usando a segunda opção, provavelmente o fizeram baseados em estudos prévios.

Esse modelo de aplicador em prega, com algumas variações de formato e tamanho para se adequar às diversas áreas corporais se manteve (e se mantêm) no mercado até os dias atuais. O modelo mais recente usa configuração de fundo curvo e maior número de elementos de resfriamento.

Somente em 2015, o fabricante do CoolSculpting desenvolveu um aplicador plano. O Modelo lançado (CoolSmooth) foi previsto para atender áreas onde o uso do aplicador em prega não acoplava, especialmente a região lateral da coxa (culotes). Para compensar o uso plano, sem a compressão de tecido causado pelo vácuo, o tempo de tratamento foi duplicado. O tempo de tratamento convencional é de 60 min e o estudo de validação da técnica publicado usou 120 min de tratamento.

O histórico do desenvolvimento da tecnologia pode ser acompanhado na Figura 2.

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O mercado da estética é sempre muito ávido por novidades. Parece até que é obrigação o lançamento de novos produtos a cada congresso. Penso que sim, as tecnologias e cosméticos podem e devem melhorar, no entanto, é preciso ter cautela para não comprar “joio no lugar de trigo”.

Que fique claro, não estou aqui dizendo que as placas não funcionam, elas têm suas indicações para tratar áreas onde o aplicador em pregas não acopla. Especialmente culotes e algumas áreas mais aderidas e/ou com dificuldade de fazer pregas. De resto, é obvio que ter 2 ou mais elementos de resfriamento associado a ligeira compressão do tecido que diminui o fluxo sanguíneo local favorece a extração de temperatura.

Lembrando que a extração do calor do tecido é tempo/temperatura dependente e acontece da camada tecidual mais externa para a camada subjacente logo abaixo (por camadas), e o fluxo sanguíneo aumentado induzido pelo frio da placa em nada contribui e é necessário, para minimizar esse efeito, aumentar o tempo de resfriamento.

Esse potencial para obtenção de melhores resultados do aplicador em pregas + vácuo quando comparado às placas, pode ser observado na Figura 3.

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Conclusão

A criolipólise com o aplicador a vácuo apresenta muitas evidências científicas sobre sua segurança e eficácia no tratamento da gordura localizada em determinadas regiões corporais como tronco posterior (costas), interno de braços e coxas, flancos e principalmente abdômen. Já para o uso da criolipólise com o aplicador de placas não há evidências científicas suficientes que comprovem sua eficácia e principalmente sua segurança, sendo assim, deve ser utilizada com precaução principalmente em regiões que possuem órgãos vitais como abdômen, flancos e peitoral e indivíduos com índice de massa corpórea baixos.

Fonte: Ibramed

Postado em: Estética, Geral, Saúde e Bem Estar
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