ISP Saúde Blog

Sono da beleza

Você já pensou no sono do seu paciente? Já perguntou na avaliação como sua cliente dorme? O sono reparador é importante na manutenção da saúde e fundamental para a vida.

Dormir-Bem-Sono-da-Beleza

 

Dormir bem ou dormir mal interfere na beleza, de que forma? Dra. Luciane Impelliziere Luna de Mello, médica, especialista em Medicina do Sono, fala sobre a relação do sono e o estado da pele no indivíduo que dorme e o que não dorme. Os profissionais que trabalham na área da beleza tem uma grande proximidade com o paciente, isso permite não só orientar, mas compreender o que vai fazer diferença no tratamento estético, pois a beleza reflete a saúde, e dormir bem é saúde!

A relação da beleza entre o sono, pele e envelhecimento

Hoje em dia é muito mais fácil falar sobre a relação do sono e a pele, as pesquisas confirmam que existe uma influência direta na pele do indivíduo que dorme e do que não dorme. É importante para pessoas que trabalham diretamente com pacientes ter este tipo de conhecimento para levar orientações de saúde, pois, a qualidade do sono impacta, não só na beleza, mas em todas os órgãos e todo o corpo, ou seja, na vida das pessoas.

Sobre a importância do sono

O sono tem sido definido como um estado fisiológico (todos precisam dormir) em que o indivíduo mantém-se de olhos fechados ou entreabertos, sem interação produtiva com o ambiente. É dividido em fases, nas quais ocorrem alterações dos processos fisiológicos e comportamentais. Dormimos um terço das nossas vidas, obviamente não é só para o descanso, acontecem muitas funções noturnas, metabólicas, liberação hormonal, interações imunológicas, entre outras, de fundamental importância para que a gente viva.

Quais as funções do sono?

Basicamente tem função restauradora, de conservação de energia, consolidação de memória e proteção.

Quantas horas são necessárias de sono?

O sono modifica-se com a idade, na qualidade e na quantidade. O recém-nascido necessita de até 18 horas por dia, a criança pequena precisa de cochilos de manhã e a tarde, além do sono noturno. A partir dos 6 anos, em média, a criança dorme apenas no período noturno. Adolescentes necessitam de períodos mais longos. Na idade adulta, varia de pessoa para pessoa, entre 6 e 9 horas por dia.

A restrição do sono é aditiva e resulta em débito de sono! Esse leva ao aumento da sonolência que pode afetar o julgamento e o desempenho.

Fases do Sono:

O sono é um processo dinâmico, se normal, passa por 3 fases:

Sono Não REM (N1,N2) – superficial: a atividade cerebral, a frequência cardíaca, a respiração e a pressão arterial caem. Em média 60% do sono nesta fase.

Sono Não REM (N3) – profundo: lentificação das funções, descanso cerebral, liberação de hormônios de controle metabólico. Em média 20% do sono, nesta fase.

Sono REM – sonhos: organização da memória. Atividade cerebral, frequência cardíaca, pressão arterial, alteração das vias aéreas e respiração. Em média 20% do sono, em torno de 3 a 5 ciclos de sono REM, extremamente necessários.

Isso varia de pessoa para pessoa, de noite para noite. Mas os sonhos acontecem, se lembre ou não deles.

Distúrbios do Sono

Os distúrbios do sono causam a privação do sono, que pode até ser voluntário (pelo trabalho por exemplo). Alguns são mais comuns, podemos citar a apneia do sono e a insônia. Consequências: acidentes de trabalho ou automobilísticos, alterações de humor, dificuldades cognitivas, depressão, irritabilidade, memória fraca, disfunção erétil, hipertensão, estresse oxidativo, inflamações, obesidade, diabetes, problemas cardíacos, etc. A privação do sono é um problema de saúde pública. Entendendo isso, vamos para o reflexo do sono na aparência.

É claramente perceptível na face da pessoa, a pele do indivíduo que dorme bem e o que tem privação de sono. Estudos americanos conseguiram comprovar cientificamente o que acontece. Avaliaram a qualidade e a quantidade do sono de mulheres que dormiam bem e as que não dormiam bem. Estudos puderam avaliar a idade da pele, escurecimento da pele (olheiras), hidratação, período de cicatrização e percepção de aparência. Os resultados provaram que os indivíduos que dormiam melhor tinham menor potencial de envelhecimento da pele do que o que não dormia bem. O indivíduo que tinha bom sono tinha menos perda de líquido, mantendo a pele hidratada em 30% melhor do que o que não dormia. A autopercepção das mulheres que dormiam é muito melhor, bem como a percepção de qualidade de vida, do que as que não dormiam bem.

Se comprovou que os sinais de envelhecimento como rugas, manchas, flacidez, demora em regeneração da pele, capacidade de hidratação e a redução da satisfação pessoal tem relação com a privação do sono.

Outros estudos ainda estão sendo feitos para comprovar a relação do sono com a aparência da pele. O cortisol (o hormônio do stress) é o principal suspeito. Quando não dormimos o suficiente, ele seria produzido excessivamente pelo corpo. Isso causaria um impacto negativo na produção de colágeno (a proteína que dá sustentação) e, assim, deixaria a pele mais flácida e enrugada. O cortisol também pode danificar o DNA das células da pele.

Nesse contexto, fica claro que, tratar da beleza é também se preocupar como o seu paciente dorme.

Concluindo:

Se você dorme bem, não é que vai parar de envelhecer, é um processo normal da vida, mas se dorme mal, os sinais de envelhecimento vão aparecer mais cedo do que deveriam. Se você trata pessoas, não esqueça de perguntar como foi o sono, oriente a procurar ajuda, você é promovedor de beleza, e saúde é beleza!

 

 

Dra. Luciane Impelliziere Luna de Mello é Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1991) com Residência Médica em Pneumologia e Tisiologia pela UFRJ, Mestrado em Medicina e Biologia do Sono pela Universidade Federal de São Paulo e Doutorado em Medicina e Biologia do Sono pela Universidade Federal de São Paulo. É especialista em Pneumologia e em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Médica do Instituto do Sono de São Paulo da Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (AFIP) desde o ano 2000.

 

Postado em: Estética, Saúde e Bem Estar
Compartilhe:

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *